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Óleo de jojoba é mesmo igual ao sebo da pele?

Por: Trópica Botânica em 22 de outubro de 2018

Você certamente já ouviu falar sobre óleo de jojoba, também conhecido como ouro líquido internet afora. Muito indicado para o auto-cuidado da pele, é tido como um ingrediente super versátil porque é um hidratante e regenerador poderoso, ótimo para nutrir qualquer parte do corpo. Por ser absorvido facilmente, pode ser usado por todos os tipos de pele – mas o que torna a jojoba tão multifuncional?

É muito comum que sua versatilidade e multifuncionalidade sejam atribuídas ao fato de o óleo de jojoba ter composição similar ao sebo natural da pele humana. 
Isso, no entanto, não é de todo verdadeiro.
Chocante, né? Mas calma que está tudo bem e o óleo de jojoba que você tem em casa continua sendo fantástico 🙂
Apesar de ter semelhanças, suas composições químicas são diferentes e a gente explica exatamente como isto acontece, onde eles são parecidos e onde diferem.

Óleo de jojoba: o que é e de onde vem

A jojoba (Simmondsia chinensis) é um arbusto perene, característico de climas quentes e desérticos, muito resistente à seca. Por isto, precisa de pouca água para sobreviver e pode tolerar grandes temperaturas. A planta também resiste à salinidade e é capaz de se desenvolver em solos com pouquíssimos nutrientes.  Ela é nativa do exuberante deserto de Sonora, no sudoeste dos Estados Unidos e noroeste do México. [1]

O uso de suas sementes remonta às populações nativas da América do Norte. Etnias indígenas, como os Apache e os Papago, usavam as sementes e o óleo tanto no cuidado de condições de pele quanto de forma medicinal. As sementes também têm uso alimentício por populações tradicionais, cruas ou tostadas, e eram usadas no preparo de bebidas características, de forma similar ao café. [2]

O óleo extraído das sementes da jojoba é único. Isto ocorre porque, na prática, não é um óleo, e sim uma cera líquida!

óleo de jojoba
Coloração amarelada característica do óleo de jojoba sem refino. Cred: Tiara Leitzman/Unsplash.

Composição do óleo de jojoba

Nós já explicamos a química básica de óleos vegetais aqui no blog. Óleos vegetais são resumidamente compostos por triglicerídeos, ou seja, cadeias de lipídios ligadas a uma molécula de glicerina.

O óleo de jojoba é diferente. Sua composição básica é de monoésteres, cadeias de lipídios que se ligam a cadeias de alcoóis através de um átomo de oxigênio, formando moléculas grandes de 36-46 carbonos. Por isso ele é tecnicamente definido como uma cera líquida, e não um óleo. [3] Estes ésteres compõem mais de 97% do “óleo”, no geral. Em muito menor proporção, também são encontrados triglicerídeos, ácidos graxos livres e fitoesteróis. [4]

Estrutura molecular do óleo de jojoba [6]

Composição do sebo humano

A composição do sebo naturalmente produzido por nosso corpo pode variar bastante conforme os indivíduos, e também de acordo com a idade. Ou seja, o sebo de um bebê não é igual ao de um adolescente nem de um adulto. Por isso vamos nos reter à composição do sebo humano em adultos.

Podemos dizer que são encontradas seis classes principais de componentes no sebo humano, nas seguintes concentrações médias [5]:

  • ácidos graxos livres (16%);
  • triglicerídeos, como em óleos vegetais (41%);
  • monoésteres (ceras) (25%);
  • colesterol (1,5%);
  • ésteres de colesterol (2,4%); e
  • esqualeno (12%).

Ou seja, 25% do sebo produzido naturalmente pela nossa pele se assemelha à composição da cera líquida extraída da jojoba. Grande parte dos outros 75% são de moléculas que se assemelham a componentes encontrados em óleos vegetais como a oliva, por exemplo (ácidos graxos,  triglicerídeos, esqualeno).

Dessa forma, o óleo de jojoba é similar a uma fração do sebo humano, pois ambos possuem monoésteres (ceras) de cadeia longa. Porém, isto não significa que suas composições sejam iguais ou mesmo parecidas.

oleo de jojoba
O óleo de jojoba oferecido pela Trópica Botânica é prensado a frio, sem qualquer tipo de refino, proveniente de cultivos orgânicos certificados (NOP, USDA). Clique na imagem e saiba mais!

Mas afinal, o óleo de jojoba se dá bem ou não com nossa pele?
A ótima notícia é que, por ser rico em monoésteres, o óleo de jojoba tem excelente biocompatibilidade com a pele, independente de ser igual ao nosso sebo ou não!
O fato de ser uma cera líquida também é responsável pelo seu toque seco e aveludado, deixando a sensação de vitalidade após o uso. Sua capacidade regenerativa e de manutenção da hidratação para qualquer área de corpo é muito grande, e as características especiais de sua composição fazem com que seja recomendado para todos os tipos de pele. Como acontece com a maior partes dos óleos e manteigas vegetais, os melhores óleo de jojoba são prensados a frio e não passam por refino ou desodorização, mantendo seus bioativos naturais e sua coloração amarela intensa .


1. Abobatta, Waleed, F. Jojoba Tree. In: Journal of Advanced Trends in Basic and Applied Science Vol.1, No.1:160-165, 2017.

2. Sherbrooke, Wade C.; Haase, Edward F. Jojoba: A Wax-Producing Shrub of the Sonoran DesertArid Lands Resource Information Paper No. 5, 1974.

3. Spencer, G. F., Plattner, R. D., & Miwa, T.  Jojoba oil analysis by high pressure liquid chromatography and gas chromatography/mass spectrometry. In: Journal of the American Oil Chemists’ Society54(5), 187-189, 1977.

4. Miwa, T. Structural Determination and Uses of Jojoba Oil. Journal of the American Oil Chemists’ Society, vol. 61, no. 2 (February 1984).

5. Petra Ramasastry, Donald T. Downing, Peter E. Pochi, John S. Strauss. Chemical Composition of Human Skin Surface Lipids from Birth to Puberty. Journal of Investigative Dermatology, Volume 54, Issue 2,
1970, Pages 139-144.

6. National Research Council. Jojoba: New Crop for Arid Lands, New Raw Material for Industry. Cap. 4 – Jojoba Oil. National Academy Press, 1985.


Imagens: Capa – Kenneth Bosma – Seeds on a Female Jojoba Bush, Creative Commons BY 2.0 / Tiara Leitzman (Unsplash) / Acervo Trópica Botânica

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