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Óleo de coco: benefícios e mitos para pele e cabelos

Por: Trópica Botânica em 16 de agosto de 2017

O óleo de coco é sem dúvida um dos óleos vegetais mais popularizados para o uso cosmético e culinário, devido a sua grande disponibilidade, suas múltiplas aplicações e o recente boom por qual passou sua produção e comercialização.
A Trópica preparou este guia explicando o que é verdade e o que é mito sobre a utilização deste ingrediente na pele e nos cabelos, para que você possa utilizá-lo da melhor maneira e aproveitar todos os seus benefícios de forma responsável e consciente!

De onde vem o óleo de coco?

O óleo de coco é extraído da palmeira Cocos nucifera, originária do Sudeste asiático, onde também se dá grande parte da produção mundial. É o popular coco-da-praia ou coco-da-Bahia, o mesmo aproveitado pela sua água refrescante e altamente nutritiva. Geralmente o óleo de coco é derivado da “carne” seca do coco, também denominada copra, mas existem outros processos que isolam esta gordura diretamente do leite de coco, gerando um produto que retém uma fração maior de seus compostos benéficos [1].

O óleo de coco pode ser refinado para retirar seu aroma característico, mas esse processo também retira componentes valiosos chamados de insaponificáveis. Também vale notar que, às vezes, o óleo de coco comercializado deriva do coco da palmeira Elaeis guineensis, a mesma da qual é produzido o óleo de dendê ou palma. Neste caso, o correto é ser chamado de palmiste, que possui uma composição similar em triglicerídeos mas não contém exatamente os mesmos bioativos do coco-da-praia. De forma geral, recomendamos sempre o óleo de coco extravirgem de prensagem a frio ou extraído do leite, de preferência de agricultura orgânica.

 

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Óleo de coco prensado a frio, preserva o aroma natural que remete ao coco seco ralado.

 

Composição do óleo de coco

Como qualquer óleo vegetal, ele é composto majoritariamente por triglicerídeos, ou seja, trios de ácidos graxos ligados a uma molécula de glicerina. O óleo de coco se destaca pela grande fração de ácidos graxos saturados de cadeia média, conferindo-lhe uma grande resistência à oxidação, o que faz dele um dos melhores para preparar alimentos fritos e refogados. Normalmente apresenta coloração clara, com odor característico do fruto, e ponto de fusão ao redor de 25°C, derretendo rapidamente em contato com a pele.

Composição média de ácidos graxos em % (variável de acordo com origem, cultivo e qualidade) [1, 2, 3]

Cáprico (C8:0) – 5,8 – 8,8 / Caprílico (C10:0) – 4,8 – 6,5
Láurico (C12:0) – 47 – 51 / Mirístico (C14:0) – 16,8 – 21,8
Palmítico (C16:0) – 6,1 – 9,5 / Esteárico (C18:0) – 2,8 – 3,5
Oleico (C18:1) – 5,2 – 6,5 / Linoleico (C18:2) – 0,9 – 1,7 %

Além de ser especial pela concentração de ácidos graxos de cadeia média, o óleo de coco extra virgem também pode conter uma fração de insaponificáveis fenólicos, conferindo-lhe potencial antioxidante. [1]

Benefícios para a pele

O óleo de coco possui uma ótima absorção e grande capacidade de retenção de umidade nas camadas superficiais da pele. Por isto é versátil, multifuncional e pode ser aplicado em praticamente todas as áreas do corpo.
Para amolecer o óleo de coco nos dias e locais mais frios (aqui em Curitiba está quase sempre sólido!), é só aquecê-lo levemente em banho-maria ou retirar uma porção com uma colher e derreter na palma das mãos.

  • Rosto: Hidratante diário, pode ser aplicado em pequena quantidade diretamente na pele do rosto e também utilizado como demaquilante e óleo de limpeza facial, com algodão. Ajuda a minimizar o ressecamento e seus sintomas na pele, como feridas e descamação. Nos lábios, pode servir como leve hidratante.
    O óleo de coco pode não combinar com algumas pessoas de peles sensíveis ou oleosas/acneicas, embora em muitos casos seja aplicado com sucesso nesses tipos de pele. O ideal é testar e ver como sua pele responde.
  • Corpo: Pode ser usado como um hidratante em todas as áreas do corpo, do pescoço aos pés, tanto com a pele seca quanto úmida. Devido a sua capacidade emoliente, vai reter a umidade na pele e auxiliar a manter a firmeza e a elasticidade, além de minimizar marcas e ajudar na cicatrização.

Benefícios para os cabelos

Devido a sua composição química, o óleo de coco tem um grande capacidade de penetração tanto nos fios quanto no couro cabeludo. Por isso, pode ser usado de várias formas para cuidar dos cabelos.

  • Umectação: Antes da lavagem, aplique uma quantidade generosa nos fios e no couro, deixando agir por no mínimo 1 hora. Fazer este tratamento semanalmente ajuda a recuperar a elasticidade, maciez e força dos fios.
  • Leave-In: O óleo de coco pode ser usado para finalizar o comprimento e as pontas, trazendo brilho e hidratação após a lavagem. Além disso, é ótimo para fazer o controle de frizz nos fios.
  • Massagens: Como é leve e penetra facilmente a pele, o óleo de coco pode ser usado em massagens capilares estimulantes da circulação, inclusive como óleo carreador para óleos essenciais fortalecedores do crescimento.

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Principais mitos

A versatilidade do óleo de coco é enorme e sua popularidade também, mas nem tudo que se fala sobre ele é verdade! Reunimos aqui os principais mitos que já vimos sobre o óleo de coco para ajudar a evitar aplicações em funções nas quais ele não tem eficácia comprovada:

Mito 1 – Protetor Solar: Um dos maiores mitos ligados ao óleo de coco é que funciona como protetor solar. Já discutimos esse assunto em profundidade no blog, com base em estudos científicos e testes laboratoriais. A conclusão é: o óleo de coco tem FPS (fator de proteção solar) baixíssimo e variável de acordo com o lote (de 0 a 8); não protege contra raios UVA; e os lotes comercializados não tiveram seu FPS realmente testado e avaliado in vitro e in vivo.
Ou seja, óleo de coco não bloqueia os raios solares com eficácia! Qualquer pessoa que queira afirmar o contrário deve submeter o óleo a testes laboratoriais e comprovar seu valor de FPS, ou a afirmação não possui validade alguma.

Mito 2 – Antibiótico Milagroso/ConservanteÉ verdade que a concentração de ácido cáprico, caprílico e láurico (ácidos graxos de cadeia média) do óleo de coco lhe confere certas propriedades bactericidas e fungicidas, e existem estudos avaliando essa capacidade de acordo com algumas espécies de fungos e bactérias. [4, 5, 6] O óleo de coco tem grande potencial para melhorar nossa saúde, mas isso não significa que podemos generalizar este efeito e utilizá-lo indiscriminadamente em casa como se fosse funcionar em todos os casos de infecção.
Essa revisão bibliográfica [6] sobre seus efeitos antimicrobianos na pele conclui que o óleo de coco “pode ser uma opção razoável para pacientes com infecções de pele leves a moderadas, especialmente acne causada por P. acnes, dermatite atópica polimicrobiana, impetigo ou feridas infeccionadas. Estudos randômicos controlados adicionais são necessários para solidificar o posto terapêutico do C. nucifera como tratamento para infecções de pele.”
Ou seja, o óleo possui potencial para funcionar em alguns casos, mas é necessário diagnosticar de que infecção se trata, verificar se o óleo de coco seria eficaz, e fazer o tratamento com acompanhamento de um profissional médico capacitado e bem informado sobre seus efeitos e a infecção em questão. Ele não pode ser aplicado como remédio caseiro infalível por qualquer pessoa, especialmente internamente, sob risco de atrasar ou prejudicar o tratamento correto e piorar o quadro infeccioso.
Da mesma forma, ele não pode ser considerado conservante! Essa é uma constatação que requer testes químicos e biológicos para ser comprovada, e sua concentração de ácidos graxos de cadeia média não é suficiente para conferir ação contra um amplo espectro de microrganismos em produtos alimentícios e cosméticos.

O óleo de coco é um ingrediente fenomenal, que pode ser aplicado livremente em nossa pele e cabelos. Escolha um óleo extravirgem, de preferência orgânico, e evite usá-lo com finalidades não comprovadas para não se expor a riscos desnecessários 🙂


1 – Marina, A. M., et al. “Chemical properties of virgin coconut oil.” Journal of the American Oil Chemists’ Society 86.4 (2009): 301-307.

2 – Bezard, J., M. Bugaut, and G. Clement. “Triglyceride composition of coconut oil.” Journal of the American Oil Chemists’ Society 48.3 (1971): 134-139.

3 – Bhatnagar, A. S., et al. “Fatty acid composition, oxidative stability, and radical scavenging activity of vegetable oil blends with coconut oil.” Journal of the American Oil Chemists’ Society 86.10 (2009): 991-999.

4 – Ogbolu, David Olusoga, et al. “In vitro antimicrobial properties of coconut oil on Candida species in Ibadan, Nigeria.” Journal of medicinal food 10.2 (2007): 384-387.

5 – Verallo-Rowell, Vermén M., Kristine M. Dillague, and Bertha S. Syah-Tjundawan. “Novel antibacterial and emollient effects of coconut and virgin olive oils in adult atopic dermatitis.” Dermatitis 19.6 (2008): 308-315.

6 – Lindsey K. Elmore et al. “Treatment of Dermal Infections With Topical Coconut Oil: A review of efficacy and safety of Cocos nucifera L. in treating skin infections.” Natural Medicine Journal, May 2014 Vol. 6 Issue 5.


Imagens: Acervo Trópica Botânica, Max Lakutin, Eddie Kopp

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