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5 passos para ler rótulos de cosméticos naturais

Por: Trópica Botânica em 5 de dezembro de 2016

Começando geralmente pela alimentação, o consumo consciente não se limita só a ela. Das roupas aos eletrônicos, tudo tem impactos em sua cadeia produtiva, de distribuição e descarte que necessitam urgentemente de atenção.

Sabendo que os consumidores estão mais alertas (e conscientes), não é difícil encontrar hoje em dia uma série de medidas tomadas pelas empresas para conter o distanciamento entre aquilo que elas produzem e o que o consumidor deseja. Mais barato que uma mudança estrutural séria, o greenwashing é muitas vezes a saída mais fácil e econômica para não se queimar com seus consumidores. Ou seja, maquiar-se de ambientalmente correto sem na verdade ser.

Além de pesquisar sobre a responsabilidade socioambiental das empresas, um passo essencial é ler rótulos de todos os produtos.
Aqui vai uma lista simples e rapidinha que vai te ajudar com os rótulos de cosméticos!

1. Identifique compostos químicos comprovadamente nocivos

Os principais ingredientes a serem evitados são: petrolatos (petrolatum, mineral oil), derivados de polietilenoglicol (PEG-), parabenos (qualquer terminado em –paraben), ftalatos (terminado em –phthalate), formol e liberadores de formaldeídos (DMDM hydantoin, imidazolidinyl urea, diazolidinyl urea), triclosan, palmitato de retinol (retinyl palmitate), siloxanos (terminados em –siloxane e –methicone) , etanolaminas (diethanolamine, triethanolamine), BHA e BHT, dentre outros.
A lista é muito maior e não vale a pena colocar tudo aqui porque a Nyle Ferrari, do Lookaholic, tem um e-book esclarecedor que pode (e deve) ser baixado de graça aqui: Beleza Tóxica.

A dica é manter uma listinha no celular ou impressa com esses ingredientes para poder checar na hora. Tem algum químico nocivo listado no ebook? Evite, fim de papo.
Outra opção é checar os ingredientes e formulações no banco de dados da EWG’s Skin Deep pra ver se possuem riscos associados e qual é a gravidade.

2. Reconheça os termos oficiais para ingredientes vegetais ou minerais

Existe uma nomenclatura internacional de ingredientes cosméticos (International Nomenclature of Cosmetic Ingredients, ou INCI), que estabelece que os ingredientes vegetais devem ser listados nos rótulos com seus respectivos nomes científicos, o que evita desentendimentos com nomes populares, que variam de acordo com país ou regiões.
Para tornar mais claro isso ao consumidor, é possível que o nome popular venha entre parênteses ao lado da nomenclatura científica, e de preferência em português. Não é obrigatório, claro, mas é questão de bom senso e transparência, além de ajudar muito a identificar ingredientes de origem animal. Por exemplo:

Óleos e manteigas vegetais
Manteiga de cacau: Theobroma cacao seed butter
[Nome científico da planta +  parte de onde se extrai (em inglês) + butter (manteiga) ou oil (óleo)]

Óleos essenciais
Óleo essencial de lavanda: Lavandula angustifolia flower oil
[Nome científico da planta + parte da planta de onde se extrai (às vezes não está presente) + oil]

Extratos vegetais
Extrato de alecrim: Rosmarinus officinalis extract
[Nome científico da planta + parte da planta de onde se extrai (às vezes não está presente) + extract]. O veículo do extrato (água, óleo vegetal, glicol) também deve estar listado na formulação. Por exemplo, pode haver extratos vegetais glicólicos obtidos com derivados de petróleo (polietilenoglicol) em formulações de proposta natural. Na dúvida, contate sempre a empresa fabricante.

3. Avalie a ordem dos ingredientes

Os ingredientes nos rótulos devem ser listados da maior para a menor concentração. Por isso avalie a proporção de ingredientes naturais e terapêuticos. O cosmético pode alegar que tem uma série de compostos naturais muito bacanas, você até não se importa muito que tenha algo sintético na fórmula, já que podem ser sintéticos seguros. Mas aí lá na formulação os ingredientes que são a principal chamada no rótulo aparecem por último na listagem. Por vezes atrás até da fragrância e do conservante, enquanto os primeiros ingredientes são água e emulsionante.

Há, claro, o caso de óleos essenciais e extratos, ingredientes poderosos que são usados em concentrações mais baixas.  Mas fique alerta: em muitos casos, óleos e manteigas vegetais que servem como propaganda estão muito pouco presentes no produto. É preciso ter cuidado com produtos ditos naturais que contém apenas 0,5% de algum óleo refinado. Se isso acontecer, se pergunte: aquele composto, em quantidades mínimas, realmente vai ter algum efeito terapêutico? Ou será que ele consta ali por puro greenwashing?

4. Tome cuidado com os perfumes sintéticos

O cheiro dos cosméticos são muitas vezes sequestrantes dos afetos de quem os experimenta, e ao contrário dos óleos essenciais não possuem o complexo sistema de interação terapêutica de aromas naturais sobre a pele ou em nosso emocional.
Um aroma cativante e exclusivo é tão importante que mesmo algumas marcas naturais trabalham com fórmulas de aromas sintéticos que são segredos industriais – ou seja, somente a empresa sabe a composição, ninguém mais. Aparece na formulação sob o simples termo “perfume”, “parfum” ou “fragrância”, quando na verdade esconde dezenas de componentes que muitas vezes são tóxicos, sensibilizantes ou derivados de petróleo.

A EWG fez uma pesquisa em 2010 para saber o que existia por trás dos perfumes comercializados nos Estados Unidos e descobriu que são formulados em média por 14 ingredientes químicos que não estavam listados nos ingredientes. Entre eles havia químicos associados com disrupção hormonal e reações alérgicas, e muitas substâncias sequer haviam sido testadas para uso seguro em produtos de cuidado pessoal – das mais de 5000 substâncias diferentes utilizadas pela indústria, apenas cerca de 1300 são conhecidas e mesmo assim são somente testadas em animais ou de forma muito superficial em seres humanos.
Então já sabe: apareceu “parfum” como ingrediente, tome cuidado. Em pouquíssimos casos, geralmente associados a empresas que já usam óleos essenciais e possuem proposta natural, “parfum” pode ser um termo que designa um blend de aromas naturais proprietário, então procure saber caso esteja em dúvida.


5. Saiba diferenciar natural de orgânico

Nem tudo que é de origem natural é necessariamente orgânico. O termo orgânico nesse caso é utilizado para tratar de ingredientes vegetais cultivados sem fertilizantes químicos ou agrotóxicos. Um cosmético orgânico deve necessariamente apresentar concentração específica de matéria-prima vegetal de cultivo orgânico. Porém, muitas formulações são chamadas de orgânicas sem cumprir esse requisito.

Um produto que se diz natural não deve ter (ou ter em quantidades limitadas) ingredientes sintéticos em suas formulações, prezando sempre por matéria-prima pura em formato de óleos e extratos naturais ou compostos derivados de matérias-primas naturais. O correto é que não contenha nenhum ingrediente derivado de petróleo nem qualquer substância tóxica ou nociva.

Nesse caso é essencial pesquisar os termos desconhecidos das fórmulas para se certificar de que são obtidos de uma fonte natural e, no caso de veganos, de fonte vegetal. Se você está numa loja sem internet no celular, tire uma foto e pesquise em casa antes de comprar. Segurar o impulso da compra de forma consciente pode garantir a melhor escolha para o nosso corpo.

Tem mais alguma dica não listada acima? Compartilhe com a gente!


Imagem de capa: Isabell Winter

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